Regime simplificado ou contabilidade organizada
A escolha muda o imposto que paga todos os anos. E é mais simples de decidir do que parece.
A contabilidade moderna para pequenas empresas em Portugal.
O que é o regime simplificado
No regime simplificado, um trabalhador independente não é tributado sobre o lucro real, mas sobre uma percentagem fixa daquilo que fatura. Para prestações de serviços em geral, o coeficiente é de 75%: de cada 100 € faturados, 75 € entram no rendimento coletável de IRS e os restantes 25 € presumem-se despesas. Não tem de provar despesa nenhuma para esses 25%, mas parte deles depende da apresentação de despesas gerais na declaração anual.
A adesão é automática até 200.000 € de rendimento anual. Não obriga a contabilidade organizada nem, por si só, a Contabilista Certificado. É o regime da esmagadora maioria dos profissionais independentes em Portugal, sobretudo de quem tem poucas despesas reais.
O que é a contabilidade organizada
Na contabilidade organizada, o imposto incide sobre o lucro real: faturação menos despesas efetivamente documentadas e aceites fiscalmente. Exige contabilidade formal, assinada por um Contabilista Certificado, e traz mais obrigações declarativas. Em contrapartida, tudo o que gasta para produzir o rendimento conta: rendas, equipamento, deslocações, subcontratos, software, formação.
Acima de 200.000 € de rendimento anual, a contabilidade organizada deixa de ser opção e passa a ser obrigatória. Abaixo desse valor, pode optar por ela, ficando obrigado a mantê-la por um período mínimo.
A regra prática
Se as suas despesas reais e documentadas ultrapassam cerca de 25% da faturação, vale a pena simular a contabilidade organizada: é aí que o lucro real começa a ficar abaixo do coletável presumido do simplificado e o imposto desce. Abaixo desse limiar, o simplificado costuma ganhar, sobretudo porque poupa o custo e o trabalho administrativo do regime organizado.
Atenção a dois pormenores que costumam decidir a conta: as despesas têm de estar faturadas com o seu NIF de atividade, e o custo anual da própria contabilidade organizada entra na comparação. Um profissional que fatura 40.000 € e tem 4.000 € de despesas raramente ganha em mudar; o mesmo profissional com 18.000 € de despesas quase sempre ganha.
E se a resposta for uma empresa
Às vezes a questão não é o regime de IRS, é a forma jurídica. Se o volume já é estável e há património a proteger, a comparação certa é entre recibos verdes e sociedade. Faça-a no comparador de recibos verdes e empresa.
Traga-nos os seus números do último ano e devolvemos-lhe a simulação nos dois regimes, com o imposto de cada um lado a lado.